

Consciência Negra: encontro da ENM com estudiosos promove reflexões sobre o papel do negro na sociedade brasileira
PUCRS
Evento marcou o lançamento do curso “África e Cultura Afro-brasileira - História, Direito e Justiça Racial”
Qual a posição das pessoas negras na construção do Brasil? Como eles moldaram a nossa cultura e quem são os expoentes e intelectuais negros que ficaram esquecidos ao longo da nossa história? Este foi o mote da live realizada pela Escola Nacional da Magistratura (ENM) na última quarta (23), no lançamento do curso “África e Cultura Afro-brasileira: História, Direito e Justiça Racial”. Participaram como debatedoras a procuradora do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Marcela do Amaral, e a mestre em Antropologia social Ângela Domingos, entre outros convidados.
De acordo com a mestre em Antropologia, “muito se fala que somos todos iguais, como se isso fosse um impeditivo para sermos diferentes. Mas a igualdade está para a desigualdade como a diferença está para a semelhança. E sermos diferentes não nos impede de sermos iguais. Somos diferentes em características físicas, sem implicar hierarquias, mas em valores, queremos igualdade”, pontua Ângela Domingos.
O debate seguiu com entusiasmo e, no ponto de vista da procuradora do MPRJ, dar visibilidade ao preconceito, inclusive dentro das políticas públicas, é o objetivo do módulo que será ministrado por ela nesse curso da ENM. “O racismo está impresso em todos nós, de forma invisível, os sujeitos nem têm noção de onde veio”, enfatiza a docente Marcela do Amaral.
Quem também marcou presença no encontro virtual foi o diretor-presidente da ENM, desembargador Caetano Levi, que afirmou: “sempre repito que é um absurdo a discriminação por cor. Precisamos trabalhar fortemente para que a nossa sociedade mude. E é esse o trabalho que estamos fazendo”, disse.
Durante o debate, o professor, historiador e pesquisador da historiografia africana, Natanael dos Santos, pontuou que “esse curso tem como meta esclarecer o papel do negro na história de formação do nosso país”. Ele citou os escritores Machado de Assis e Maria Firmino, e disse que se tivesse estudado essas pessoas na escola, sua juventude teria sido completamente diferente.
A juíza do trabalho aposentada Mylene Ramos, que em sua atuação se destacou em casos envolvendo minorias, discriminação e trabalho escravo, ressalta que o novo curso da ENM se justifica pela importância dos dados sociodemográficos brasileiros. “Quando vivemos em uma sociedade em que um grupo tem uma expectativa de vida 20 anos menor do que o outro, precisamos falar sobre isso”, enfatizou.
Outra docente que estará à frente do curso “África e Cultura Afro-brasileira: História, Direito e Justiça Racial” é a professora de filosofia Katiúscia Ribeiro, que participou da live diretamente dos Estados Unidos, onde atua como pesquisadora da Universidade da Filadélfia. De acordo com ela, "o intuito é que os discentes conheçam outros pensadores, filósofos e ideias. Que tenham uma forma nova de ver a vida e, assim, pensar a ética e em uma maneira de bem viver para todas as pessoas”, finalizou.
Sobre o curso
O curso "África e Cultura Afro-brasileira: História, Direito e Justiça Racial" tem como objetivo capacitar magistrados e magistradas, no intuito de ampliar o entendimento da importância da construção da cultura africana no Brasil, expandindo os horizontes para a interpretação da lei e a realização da Justiça.
As aulas serão ministradas em dezembro, pela plataforma da ENM. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.
Leia também
Conheça nossos cursos

Receba atualizações exclusivas
Inscreva-se para receber em primeira mão informações sobre novos cursos, webinars gratuitos e conteúdo especializado da PUCRS




